RETINOPATIA DIABÉTICA: É POSSÍVEL PREVENIR?
04/06/2019 06:00
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Retinopatia Diabética: É possível prevenir?
Cleide Guimarães Machado - Doutora em Oftalmologia pela Faculdade de Medicina da USP; Médica Assistente do Serviço de Retina e Vítreo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
A retinopatia diabética tem um grande impacto nos sistemas de saúde no mundo. É a principal causa de cegueira que se pode prevenir na população economicamente ativa.
Estima-se que em 2.030 haverá 552 milhões de diabéticos, o que corresponde a quase 10% da população adulta1 e desse total 191 milhões terão retinopatia diabética, sendo que em 56,3 milhões haverá comprometimento visual.
1. Quais são os tratamentos atualmente disponíveis?
O primeiro método de tratamento das complicações visuais do diabetes é o controle dos fatores de risco, incluindo o controle glicêmico, o tratamento da hipertensão arterial associada e a regulação dos níveis lipídicos. Entretanto, esses métodos são frequentemente insuficientes para controlar a retinopatia diabética e o edema macular diabético (EMD).
A fotocoagulação a laser para tratar o EMD, tinha como principal efeito a redução da perda visual, sendo que poucos olhos ganhavam visão (3). Com o advento dos agentes farmacológicos intravítreos, o prognóstico do EMD mudou da estabilização para a melhora visual.
Os esteróides são importantes opções de drogas para tratar o EMD, mas como segunda escolha por causa de seus efeitos colaterais, particularmente o aumento da PIO e a catarata. Estão indicados nos pacientes que não respondem aos anti-VEGF e podem ser considerados primeira linha em pacientes com história recente de eventos cardiovasculares graves ou gravidez.
2. Quanto tempo é necessário para melhorar a retinopatia diabética?
Nos estudos mais antigos, a melhora na retinopatia de base ocorreu após 12 meses de tratamento, mas a análise de um novo estudo (READ-316) mostrou que a melhora de 2 ou mais estágios do DRSS começou a ocorrer em 3 a 6 meses e atingiu uma porcentagem semelhante aos resultados dos outros estudos7 de 12 meses.
3. E um tratamento exclusivo com drogas anti-VEGF?
Quanto à proposta de um tratamento exclusivo com anti-VEGF para todos os pacientes com RD, deve-se ter em mente a baixa aderência dos pacientes a tratamentos prolongados e que a suspensão abrupta da medicação pode levar à rápida progressão da doença com consequências devastadoras para a visão17. Além disso, ainda é necessária uma avaliação rigorosa dos riscos e do custo/benefício de tal protocolo de tratamento.
4. Qual a perspectiva atual de qualidade de vida para pessoas com retinopatia diabética?
Com o avanço da medicina e dos tratamentos mais atuais e cada vez mais efetivos aliados ao controle do diabetes, existe uma perspectiva muito boa de qualidade de vida para pessoas com Retinopatia Diabética.
Referências bibliográficas
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Fonte: Universo Visual
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